Excertos inacabados

Chega uma época do ano em que a gente começa a espalhar bondade e desejar boas vibrações para o ano seguinte. Dezembro traz isso pra vida das pessoas e elas sentem uma necessidade chamada espírito natalino que serve pra compensar tudo que elas fizeram de ruim ou não fizeram durante o ano todo. E aí começam os textos reflexivos desejando tudo de bom para as outras pessoas e que o ano seguinte possa ser melhor.

Claro que nem todo mundo sente isso, nossa sociedade não é homogênea, afinal. E também é claro que eu aproveitei este momento para falar de coisas que me perseguiram durante o ano todo: reconstruir a minha identidade. Isso mesmo, preciso refletir sobre algumas coisas que ainda não estão bem elucidadas na minha vida. Hoje o texto é para mim mesmo.

Desde que eu entrei no mestrado as coisas só complicaram mais na minha vida. Eu deixei o meu tcc de lado, deixei todas as coisas do bacharelado de lado, já que nunca foram prioridade e isso acabou ajudando para que se tornasse menos prioritário ainda. E então eu tenho pensado: será que é essa vida de priorizar coisas em detrimento de outras que eu quero?

Parece óbvio que todo mundo faz isso, mas a sensação de que coisas importantes estão ficando para trás é muito frustrante. Nós buscamos uma possível melhora de vida através do meio acadêmico e acabamos ficando sem vida alguma, abandonando projetos pessoais e ocupando todo nosso tempo buscando conhecimentos que não estão acessíveis ao resto da população.

É nesse ponto que eu percebo o quão elitizada a universidade é, não só no sentido econômico, mas no sentido de riqueza de conhecimentos acessíveis a uma parcela mínima da população. E o que vem depois é a arrogância e a soberba daqueles que detêm e até mesmo produzem esse conhecimento. Não quero me tornar um arrogante graduado, embora exista algum nível de arrogância na minha personalidade.

Eu luto contra todos esses defeitos todos os dias. Mas na maioria do tempo, eu finjo buscar humildade e tento espalhar o amor quando lembro. Não deveria ser assim. Eu quero alcançar esse nível pessoal e espiritual de realização. De ser humilde com as pessoas e espalhar o amor o tempo todo, de canalizar as energias e praticar ioga com mais frequência.

Mas isso não são prospectos para 2017, até porque eu me sinto estagnado academicamente, emocionalmente e mentalmente. Sinto que ainda não percebi a realidade da situação, a começar pelas horas de sono mal dormidas. Uma pessoa normal responderia “ora, mas é normal dormir pouco quando se está na faculdade”. Não, não é normal, mas isso não vem ao caso.

O que eu preciso fazer é uma readequação das minhas horas de sono, para poder dormir cedo e acordar cedo. Já fiz isso algumas vezes, mas sempre volto na máxima do “ah, amanhã eu não tenho nada muito importante pra fazer de manhã” e isso complica meu dia, porque tudo se acumula à tarde e à noite, me deixando mais cansando e, consequentemente, dormindo mais tarde.

Sem falar nas coisas que eu deixo pra fazer de última hora. “Ah, todo mundo faz isso, bobo, para de se sentir culpado”, mas eu não quero continuar assim e não é fácil mudar essa realidade, porque é uma complexidade de primeiro ter que perceber que eu não posso mais levar a vida que eu tinha há 3 meses.

Outra coisa que eu disse que ia mudar em minha vida é parar de reclamar das coisas – que, inclusive, eu estou fazendo no decorrer deste texto – e começar a agir para que elas mudem. Atualmente, estou insatisfeito com minhas páginas do facebook, com a identidade visual desse blog e com o gerenciamento do meu perfil no twitter, mas que eu não consigo parar para resolver porque os olhos estão voltados para o mestrado.

Eu ainda não consigo abrir mão disso tudo porque são coisas que estão muito intrínsecas a mim, a quem eu sou e o que eu quero de verdade. Tampouco estou insatisfeito com a pós-graduação, que tem me feito perceber que a educação e a formação de professores é algo que quero cada vez mais pro meu futuro.

Mas, ao mesmo tempo que eu quero um, também quero o outro. Já não tenho braços grandes o suficiente para abraçar tudo isso. Entende? Eu estou reclamando o tempo todo de coisas que eu não consigo fazer, que mesmo priorizando algumas coisas em detrimento de outras, não dou conta de ambas e, simultaneamente, não quero abandonar de vez nenhuma delas. A gente não deve ter de escolher entre o pessoal e o profissional.

Eu não quero mais lazer para 2017, poder assistir minhas séries, fazer ioga com frequência, dar conta da pós-graduação e progredir com o blog, redes sociais e sites que participo. Eu quero isso hoje, amanhã, ainda este ano. Sempre. Quero poder viver sem estresse e sem correr contra o tempo para dar conta de tudo.

E quero que as pessoas que compreendam que, depois de todo esse texto, não me serve de conselho dizer que “é só começar”, ou que “só depende de mim”. Olha aí eu sendo arrogante de novo. Mas é que eu sei de tudo isso. Eu sei que a mudança começa por mim, mas a desorganização emocional e racional não me permite planejar isso, traçar um plano para abarcar uma vida melhor.

E quando eu não consigo planejar, eu entro em estagnação. Pessoal, organizacional e criativa. É por isso que não aparecem textos com frequência neste blog. E você também deve ter problemas parecidos ou deve ter pensado em tudo o que te preocupa ou te estagna.

Não espere que 2017 traga as melhorias, pois o que ele trará são novos dias, novas possibilidades, mas amanhã também é um novo dia, uma nova possibilidade. Cabe à gente decidir se mudança vai começar amanhã ou em 2017, como a gente vai começar a mudança e quando vamos buscar formas de resolver essa desorganização emocional e racional que nos persegue.

Obrigado por ler até aqui.

Imagem em destaque: Pexels

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