Os clichês de sempre

Às vezes somos uma ilha de organização cercada por um mar de bagunça, né?

Eu sempre me pego refletindo o quanto eu tento organizar a minha vida, mas por algum motivo, ela sempre se torna uma bagunça. Falta rotina, falta o cumprimento de prazos, falta a criação de hábitos. Falta estabilidade, em todos os sentidos possíveis. Sobra cobrança, sobram desapontamentos, sobra frustração. Sobra, acima de tudo, aquela vontade de jogar tudo pro alto e sair correndo.

Nas últimas semanas eu tenho falado muito sobre não desistir. Penso que continuarei falando disso, como um mantra para que possamos seguir em frente. Precisamos de uma limpeza mental e emocional que nos liberte dessa agonia que é sentir a pressão academicista que se torna cada vez mais invasiva e que cava sulcos de estupidez que vão drenando toda nossa paciência, senso de prioridade e necessidades vitais.

Esse veio da academia deixa-nos em total torpor. Uma falta de sensibilidade que acaba por nos tornar insossos. E eu atribuo essa culpa à academia sabendo que, secretamente, é uma tortura psicológica que nos rende aos poucos vai tomando cada pedacinho de bom senso e de razão. Será que os pontos positivos de refletir sobre o que se está aprendendo – quando há, de fato, reflexão – são realmente sobrepujantes aos contrários a esta?

Quantos projetos pessoais mais temos que abrir mão para, enfim, percebemos o quão estagnados estamos? Vale o progresso científico? E que progresso científico estamos fazendo, que não alcança aqueles que estão de mãos estiradas, esperando por uma salvação? Vale toda essa desorganização e comprometimento da saúde mental?

E voltando à organização: quando é que finalmente entraremos em homeostase? Será que somente no momento em que tendermos à entropia radical, se já é que não estamos tendendo há anos? Será que dá pra criar uma rotina que fuja disso? Ou continuaremos sendo uma conjuntura de amálgamas predestinadas e, ao mesmo tempo, sem destino? É daí que vem tanta procrastinação, do medo de acabar não sendo ninguém na vida?

Ora, pois, ninguém já somos. Resta-nos um mundo em que a grande sacada da dialética deve reinar: não se trata de vencer, mas estabelecer a verdade através de argumentos. Resta continuarmos vivos, não para que criemos nosso arsenal de argumentos, mas para que criemos redes de argumentação e assim chegarmos a algum lugar, para que daí possamos prosseguir para um próximo e assim por diante.

Essa é a real rotina. Saber onde estamos e onde queremos chegar, não para que alcancemos nossos objetivos, de fato, mas para que possamos aproveitar bem nossa caminhada, prepararmo-nos para as escaladas, para as corridas, para os perigos que surgem e, principalmente, para as pessoas que encontramos, que também estão seguindo seus caminhos e não precisam ser vencidas, mas conhecidas e, mais que isso, precisam seguir adiante.

Obrigado por ler até aqui

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